VIGIE!
Segundo o dicionário vigiar significa observar atentamente. Implica numa atitude de cuidado redobrado, quando somos chamados a observar com atenção tudo que ocorre ao nosso redor. Na Bíblia vigiar pode ter várias implicações. Por exemplo, no Antigo Testamento encontramos vigiar como uma atitude de proteção (2Crônicas 23:4), de zelo religioso (Neemias 13:22), de expectativa pela resposta de Deus (Habacuque 2:1), de cuidado Divino aos Seus (Ezequiel 34:16) e até mesmo de punição Divina contra os pecadores (Jeremias 44:27). Jesus falando sobre Sua Vinda adverte: “mas compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que hora da noite o ladrão viria, vigiaria e não deixaria arrombar sua casa” (Mateus 24:43; cf. Lucas 12:39). Pedro, Tiago e João foram repreendidos por não vigiarem em oração (Mateus 26:40).
A vigilância tem um valor fundamental na vida cristã, pois ela nos ajuda a compreender a vontade de Deus. Infelizmente muitos crentes se comportam neste mundo como se estivessem num parque de diversões e não no campo de batalha. Esse comportamento tem feito com que muitos crentes vivam e convivam com pecados absurdos e inimagináveis para alguém que professa a fé em Cristo. Estamos numa guerra e o inimigo nos cerca, de modo que a vigilância torna-se uma questão vital sendo a diferença fundamental entre a vida e a morte. Mas sobre o que deveríamos vigiar?
Olhando as Escrituras vemos que precisamos vigiar em várias direções. Primeiro precisamos vigiar a nós mesmos. O nosso primeiro inimigo somos nós mesmos. O ser humano tem uma capacidade fantástica de se autojustificar e de buscar um argumento para provar sua inocência. Isso vem desde o Éden quando Adão justificou sua queda por causa da “mulher que me deste” (Gênesis 3:12). Eva culpou a serpente e nós muitas vezes culpamos os outros pelos nossos vacilos. É incrível como essa capacidade consegue criar uma justificativa espiritualizada; muitos falam que caem por causa de espíritos e não faltam aqueles que de sua religiosidade pragmática se orgulham em detrimento de outros, assim como o fariseu que vê o publicano como um grande pecador (Lucas 18:11). Ou seja, quanto mais os outros pecam mais me se sentem justificados.
Em segundo lugar precisamos vigiar nosso coração. A Bíblia nos adverte: “Acima de tudo que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 4:23). Mas por que devemos guardar o coração? Porque Jesus disse que “do coração é que saem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, imoralidade sexual, furtos, falsos testemunhos e calúnias” (Mateus 15:19). Geralmente se ensina que a vontade governa o homem, mas a Palavra de Deus declara que o centro dominante de nosso ser é o coração. E aqui nosso Senhor mostra claramente a fonte destes atos pecaminosos, e declara que a sua origem é o “coração”, e não a vontade! Assim mesmo, “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim” (Mateus 15:8).
Quando afirmamos que é o coração e não a vontade é o que governa o homem, não estamos nos envolvendo numa mera discussão filológica, numa guerra de palavras, senão, sustentando e insistindo numa distinção de vital importância. É aqui que oferecemos a um indivíduo duas alternativas: Qual escolherá? Respondemos: a que mais agrade a seu coração: o centro mais escondido de seu ser. Diante do pecador se tem colocado uma vida de virtude e piedade, e uma vida de vícios, de entrega ao pecado; qual seguirá? A segunda. Por quê? Porque é a que escolhe. Por isso precisamos orar para que Deus mude o coração das pessoas, pois somente assim elas vão responder positivamente aos apelos da graça. Por isso não podemos confiar em nosso coração, mas submetê-lo ao Senhor, pois como diz o profeta: “O coração é enganoso e incurável, mais que todas as coisas; quem pode conhecê-lo?” (Jeremias 17:9).
E finalmente, devemos vigiar a nossa mente. O apóstolo Paulo diz: “E não vos amoldeis ao esquema deste mundo, mas sede transformados pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2). O cristão que vigia a mente faz isso porque sabe que precisa constantemente de renovação! Essa renovação é indício de vida. O que não se renova, morre. Por exemplo, As células de nossa pele se renovam a cada 20 ou 30 dias. Ou seja, ao longo davida trocamos de pele mais ou menos mil vezes! A renovação do sangue é tão intensa que diariamente entram em circulação cerca de oito mil novas células sanguíneas. É assombroso que o organismo consiga controlar um processo proliferativo tão exuberante, impedindo, em circunstâncias normais, que o número de células produzidas exceda o necessário e que as células liberadas na circulação estejam no estágio correto de diferenciação.
A vida espiritual também deve se caracterizar por uma renovação constante. A falta de renovação ou crescimento é um indício de morte. O segredo da vida em renovação está na simples visão de que precisamos ir à fonte de água viva; precisamos ir a Jesus todos os dias. É aos pés de Jesus que somos renovados; é aos pés de Jesus que somos cheios do Espírito Santo; é aos pés de Jesus que rios de água viva fluem em nossa vida (João 7:37-39).
Mas alguém poderia perguntar: Não deveríamos vigiar a ação do Diabo? Esse é o problema de muitos cristãos; olham mais para o Diabo do que para Jesus. De fato a Bíblia fala que “O Diabo, vosso adversário, anda em derredor, rugindo como leão que procura a quem possa devorar” (1Pedro 5:8). Mas onde ele atua? Onde ele lança suas setas malignas? Na nossa mente e no coração, criando justificativas falsas que tentam nos desviar do Senhor. Com o inimigo de nossas almas devemos resistir-lhe, tomando a armadura de Deus (Efésios 6:10-18). Mas devemos levar em consideração o que Jesus nos disse: “Tende cuidado de vós mesmos...” (Lucas 17:3), pois o Diabo pode nos tentar, mas a culpa de nosso pecado sempre será nossa.
Uma ótima semana, com abraços fraternos em Cristo. Pr. Gilson Jr.
(Colaborador)
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Isaias Andrade Lins Filho. Pastor da IB dos Mares, advogado, professor de Direito Constitucional e membro da Comissão Jurídica da CBB:
Resolvi trazer este tema, embora inusitado, mas muito em voga ultimamente,
quando o mundo inteiro voltou seus olhares para a eleição do novo Papa. Após
aparecer aquela famosa fumaça branca, ouviu-se a proclamação de uma frase
que iniciou com a palavra em latim, “habemus”, para anunciar que já havia sido
eleito mais outro pontífice. Todavia, a palavra “habemus” usada por mim neste
texto é para anunciar que existem nada menos do que sete pastoras batistas inscritas
legalmente e consagradaslegalmente, nos termos estatutários e regimentais da Ordem
dos Pastores Batistas do Brasil – OPBB. Ainda mais, dentre essas pastoras queridas,
uma delas foi também eleita como membro integrante da nova diretoria, em
Assembleia Geral da OPBB, realizada em Aracaju, por ocasião do Congresso dos
Pastores Batistas, em dias que antecederam a Assembleia Geral da Convenção Batista
Brasileira. Alguém tem dúvida disso? Estou salientando alguma novidade? Ao participar da reunião do Conselho Geral da CBB, na condição de Conselheiro e um dos integrantes da Comissão Jurídica da CBB, tomei conhecimento de que em janeiro de 2014, quando da realização do Congresso dos Pastores na Cidade de João Pessoa-PB, este assunto será trazido à baila, para a OPBB decidir se vai querer ter ou não “mulheres pastoras” em seus quadros. Ora, senhores pastores, não há mais o que decidir, vez que já está decidido, desde quando a OPBB deliberou e autorizou e, em
consequência, inscreveu, filiou e credenciou as queridas sete pastoras, legitimando-
as como membros efetivos da OPBB. Com isso, assegurou-lhes direitos que lhes são irrenunciáveis, são direitos individuais, não são direitos dos nobres pastores,
mas direitos das queridas colegas pastoras, legalmente membros de nossa Ordem
de Pastores, atendendo a todas exigências estatutárias e regimentais, existindo a
propósitos princípios constitucionais que haverão de ser respeitados. Como se vê no Ordenamento Jurídico Brasileiro, artigo 1º, inciso III da Constituição Federal, a dignidade da pessoa humana é um princípio fundamental, inerente a todo ser humano, sem distinção de origem, raça, sexo, cor e credo. O nobre jurista Nelson Rosenvald, no seu livro “Dignidade Humana e Boa-Fé no Código Civil”, diz claramente: “O ser humano é digno de respeito pela eminência de ser livre...”(p.3). O que demonstra que este princípio está interligado a duas garantias fundamentais previstas na Constituição
Federal(artigo 5º., caput), o da liberdade e igualdade. Do mesmo modo, dispõe
a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu artigo I, in verbis: “Todos
os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e
consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”. Assim, pois, devemos sentir e pensar que todo ser humano nasce livre, e sendo a dignidade pressuposto fundamental da liberdade e igualdade, constata-se que não existe pessoa sem dignidade. A dignidade é um atributo natural que advém da essência de cada ser humano. O ensino da ilustre doutrinadora de Direito, Giselda
Hironaka, no seu livro “Responsabilidade Pressuposta”, apud Nelson Rosenvald,
“Dignidade Humana e Boa--Fé no Código Civil”, nos remete ao belo pensamento
de Bernard Edelman sobre a dignidade como essência da humanidade: “Se a liberdade
é a essência dos direitos do homem, a dignidade é a essência da humanidade. Ela
se apresenta como a reunião simbólica de todos os homens naquilo que eles têm
de comum, isto é, sua qualidade de ser humano.” Dessa forma, torna-se imperioso
ressaltar que nenhuma pessoa pode renunciar à dignidade, posto que a condição
de sua existência é a vida. Sendo a vida também uma garantia fundamental resguardada pela Constituição Federal, artigo 5º., caput e pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, artigo III. Por fim, deixo para a reflexão de todos os queridos
leitores, principalmente os membros da OPBB, a qual tenho também a honra de
pertencer, que a presença, aceitação e integração das distintas pastoras batistas nos
quadros desta OPBB é irreversível, pois a nós não nos é dado o direito de querer
agora, ou amanhã, ou, em janeiro de 2014, deliberar se a OPBB vai ter ou não, vai
querer ou não, pastoras nos seus quadros. Este direito é próprio das que já foram inscritas, aceitas e credenciadas legalmente. Quanto àquelas que que ainda não se inscreveram, basta que requeiram, pois se foram consagradas formalmente nos termos exigidos pela OPBB, não há como negar-lhes o acesso, vez que os pastores não irão ferir mais um princípio constitucional que não citei neste pequeno artigo, que é o princípio da isonomia, isto é , da igualdade de todos diante da lei.
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