domingo, 3 de abril de 2011

Estudo sobre o Evangelho de João - Parte III




ESTUDO SOBRE O EVANGELHO DE JOÃO PARTE II

NOVO NASCIMENTO
 Texto: Jo 3.1-8
 INTRODUÇÃO
             A doutrina do novo nascimento foi demonstrada por Jesus Cristo no evangelho de João de forma que ficou fácil compreender as figuras do velho homem e do novo homem, do homem nascido da carne e do nascido do espírito, da existência do pecado original, em quem todos morreram e da ressurreição em Cristo, aquele que é capaz de dar vida.
            O diálogo de Jesus com Nicodemos é o segundo diálogo apresentado por João em seu evangelho, que é conhecido como o “evangelho dos encontros”, o primeiro se deu entre Jesus e Natanael, muito embora esse encontro de Jesus com Nicodemos seja muito mais aprofundado do que o diálogo que o Mestre teve com Natanael.
            Vamos analisar a doutrina do novo nascimento à luz do encontro de Jesus com Nicodemos, mas vamos ver que essa doutrina está alicerçada nas profecias da nova aliança que o Pai havia prometido no Antigo Testamento. Contudo, a análise maior será sobre o evangelho de João.
 O QUE NICODEMOS QUERIA REALMENTE CONVERSAR COM JESUS?
Diz-nos o texto que um fariseu, que era um dos principais judeus da sua época, o qual segundo os historiadores seria membro do Sinédrio, que depois veio a condenar Jesus à morte, foi ter com o Senhor à noite (Jo 3.1, 2).
O comentarista William Hendriksen, in Comentários do Novo Testamento, João, 1ª edição, São Paulo, 2004, Editora Cultura Cristã, pág. 178, vai dividir o texto do versículo 1 ao 21 e dizer que há três perguntas e três respostas e um monólogo do Mestre, mostrando não apenas que houve um encontro, mas que esse encontro serviu para mostrar os círculos concêntricos cada vez mais abrangentes do Filho de Deus, partindo da Judeia e chegando ao mundo (3.16). Bom, isso não responde a nossa pergunta. No nosso modesto entendimento, Nicodemos queria saber se realmente Jesus era o Cristo, o Messias que havia de vir. Por isso ele chega bajulando ao Senhor, porém Jesus conhece o interior e vai logo evitando quaisquer rodeios e dizendo a Nicodemos que não bastava saber que ele, Jesus, era vindo da parte de Deus, mas que para ser transformado seria necessário nascer de novo.
Nicodemos era mestre na lei, era fariseu, conhecia a lei de Moisés e conhecia as interpretações dadas pelos fariseus à lei, mas realmente não conseguia compreender o significado de novo nascimento. Para ele, isso era uma doutrina nova, que não cabia na cabeça de um doutor da lei judeu.
A visita de Nicodemos a Jesus era especulativa, não se voltava para saber sobre a doutrina da salvação, mas sobre a pessoa de Jesus, pois os fariseus eram zelosos da lei, mas praticavam uma religião externa, baseada nas obras, na aparência. Sobre isso Hendriksen nos diz o seguinte:
“Embora os fariseus estivessem corretos em muitos dos pontos doutrinários que ensinavam – os decretos divinos, a responsabilidade moral do ser humano e sua imortalidade, a ressurreição do corpo, a existência dos espíritos, recompensas e punições na vida futura –, e terem produzido homens de grande renome (Gamaliel, Paulo, Josefo), eles cometeram um erro básico e trágico: externalizaram a religião”.
Por esse raciocínio, percebemos que Nicodemos realmente não compreendeu o que Jesus falava e apenas foi ter com ele para especular e adquirir do mesmo uma confissão do tipo “eu sou o Cristo”, mas saiu de lá com uma resposta grandiosa, ou seja, a doutrina do novo nascimento.
Com as respostas de Cristo, ele percebeu que, para alcançar a vida eterna, seria necessário passar por um estágio de aproximação espiritual de Deus, o que somente o novo nascimento é capaz de fazer.
 O ACESSO AO REINO DE DEUS
A primeira resposta de Cristo a Nicodemos dá a dimensão da importância do novo nascimento, pois para ver o reino de Deus é necessário nascer de novo (v. 3). Depois Jesus vai dizer que para entrar, para ter acesso a esse reino, é necessário nascer da água e do Espírito.
Os judeus sabiam da importância da água, uma vez que passaram sede no deserto e o próprio Jesus é essa água (Êx 17.6; Is 48.21), também Jesus é quem dá a água que mata a sede (Jo 4.14). O apóstolo João, em sua 1ª carta, 5.6 escreve:
“Este é aquele que veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo; não somente com água, mas também com a água e com o sangue. E o Espírito é o que dá testemunho, Porque o Espírito é a verdade”.
Apocalipse 22.17 registra:
O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve diga vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da Vida”.
O profeta Isaías vai nos dizer no versículo primeiro do capítulo 55 do seu livro:
“Ah! Todos vós que tendes sede, vinde às águas”.
O Senhor Deus, quando formou o homem, soprou nele o fôlego da Vida, o Espírito, que no hebraico é HUACH e no grego é PNEUMA. Assim, esses dois símbolos, a água e o Espírito são os elementos que compõem a fórmula da vida, capaz de fazer com que o homem possa entrar no reino de Deus.
Nascer da água e do Espírito é estar totalmente regenerado, pois o primeiro homem, que pereceu em Adão (1Co 15.22), foi vivificado em Cristo (água e Espírito). O velho homem é apenas alma vivente (limitado, imperfeito, incapaz de alcançar o reino de Deus), mas o novo homem é vida constante, espírito vivificante (1Co 1.45).
O velho homem é nascido da carne, o novo homem nascido do Espírito. Com isso, Cristo estava dizendo somente quem é nascido através do meu sacrifício é que é pode entrar no reino de Deus. Os fariseus achavam que por dar esmolas, orarem em público, jejuar e por serem da descendência de Abraão estavam aptos a entrar no reino de Deus, mas Jesus corta essa ideia quando diz a Nicodemos que para entrar no reino de Deus é necessário nascer da água e do Espírito.
 O NASCIDO DE NOVO É SENSÍVEL À CONDUÇÃO DE DEUS
            Nicodemos não compreendeu o que significava nascer de novo, não compreendeu a forma desse nascimento (água e Espírito), tampouco compreendeu que o nascido de novo é sensível à condução de Deus.
            Jesus diz a Nicodemos que quem é nascido de novo não tem mais os ouvidos fechados, não é mais cego e é conduzido por Deus para onde ele quiser, pois assim, como o vento sopra e nós não sabemos de onde vem nem aonde vai, assim também é todo o que é nascido do Espírito. Muito embora o Senhor não tenha dito expressamente sobre cegueira espiritual, dá para entender que há um sentido de sensibilidade espiritual na expressão de Jesus no versículo 8.
Os fariseus estavam acostumados a serem literais e a interpretar a lei com uma enorme quantidade de regras – só para o sábado havia 318, no entanto, continuavam cegos, insensíveis, não ouviam a voz do Espírito, não estavam firmados na nova aliança, que o Pai havia prometido em Isaías 59.21.
Jesus dá uma aula a Nicodemos, como sempre fazia com os seus interlocutores que procuravam alguma falta nele. Nicodemos não queria procurar falta, mas queria uma confissão do mestre sobre ser ele o Cristo, o Messias, no entanto, Jesus foi muito mais profundo e falou de algo que era e é necessário para todo ser humano, o novo nascimento. Novo nascimento é sinônimo de regeneração, pois só é regenerado quem nasce de novo, ou seja, da água e do Espírito, através de Cristo, que é água para justificar a nossa vida (Mt 5. 6). Assim, conseguimos aprender que não devemos praticar uma religião exterior, mas devemos procurar ouvir a voz de Deus e andarmos na sua luz, dando os frutos dos regenerados, dos nascidos de novo.
 APLICAÇÃO
            Saber o que é novo nascimento não nos faz melhor do que Nicodemos, mas termos a convicção de que somos nascidos da água e do Espírito e produzirmos frutos dignos de arrependimento. Sermos sensíveis à condução de Deus isso, sim, nos faz vivermos como nova criatura (2Co 5.17).

Nenhum comentário:

Postar um comentário