Texto: Jo 8.21-10.42. Texto básico Jo 8.24.
A REVELAÇÃO DO EU SOU – PARTE II
INTRODUÇÃO
Estudamos na lição anterior sobre os dois eu sou, dos sete[1], constantes no livro de João – eu sou o pão da vida e eu sou a luz do mundo. Hoje vamos estudar sobre os outros dois “eu sou” que escolhemos para sintetizar a revelação perfeita de Deus, através de Jesus Cristo.
Compreender o eu sou de um ponto de vista da divindade – o verdadeiro Deus – aquele que se revelo no Antigo Testamento com esse nome (Ex 3.14) a Moisés é primordial para não perdermos a certeza da realidade da pessoa de Cristo como nosso salvador e podermos transmitir essa certeza para as pessoas, ou seja, dizer com firmeza que Jesus é o “EU SOU”, o EGO EIMI do grego, que traduz, de forma muito influente a presença de um Deus que é tudo, fez tudo e por meio dele todas as coisas foram feitas.
EU SOU A PORTA
Muito mais do que uma alegoria, ou uma metáfora, ser a porta tem a ver com a possibilidade de entrada no reino dos céus. Jesus, falando em Lc 13.24 exorta o povo a “entrar pela porta estreita”. Ali a porta tem a ver com entrada limitada quanto a purificação, ou seja, pela porta estreita que conduz ao caminho do reino dos céus, Jesus (Jo 14.6) não passa impureza, desvios, enfim, tem a ver com a conduta moral dos nascidos de nascidos de novo. Essa imagem da porta rememora às portas de Jerusalém, que possuía várias portas, inclusive a porta das ovelhas Jo 5.2. Por essa porta passavam as ovelhas que eram conduzidas ao templo para o sacrifício e Jesus, ao mesmo tempo era e é: PORTA DE ENTRADA PARA O REINO DOS CÉUS; CORDEIRO PARA O SACRIFÍCIO e SACERDOTE, portanto, era a absoluta revelação que condensa todas as possibilidades num único ser, ele mesmo, que é Deus e mediador entre Deus e os homens (At 4.12 e 1Tm 2.5,6).
O direcionamento da mensagem inicial no capítulo 10 tem duas vertentes. Primeiro combater as falsas compreensões do ensino dos fariseus e mostrar que há falsos profetas, os quais penetram no aprisco, o mundo, ou mais particularmente, em nosso caso, na igreja, o que pode ser traduzido por heresias, falsas doutrinas, mentiras, etc. O segundo, diz respeito àquele que é realmente o pastor das ovelhas, que será revelado por Jesus no versículo 11 deste capítulo.
No contexto desta alegoria temos os referenciais, ou seja, os discípulos, os fariseus, um homem que havia sido curado de cegueira e outras pessoas, as quais passaram a ouvir sobre uma porta que permite estar em segurança, o que será mais tarde, no mesmo capítulo informado sobre alimento, segurança e cuidado com as ovelhas, o que contrasta com as profecias de Jr 23.1 e ss Ez 34.2 e Zc 11.17, dos pastores que não protegiam as ovelhas contra os ferozes animais. A mensagem de Cristo é também o cumprimento da profecia de Ezequiel onde Deus diz: “porque assim diz o Senhor Deus: Eis que eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e as buscarei”.
A visão da porta é expressa pelo salmista no salmo 84.10, quando afirma: “prefiro estar à porta da casa do meu Deus a permanecer nas tendas da perversidade”. É uma questão de escolha para aqueles que já foram resgatados: estar na porta, estar em Jesus.
A alegoria poder ser assim resumida:
a) a porta, o próprio Jesus Cristo;
b) o aprisco, inicialmente Israel, que estava rejeitando a Jesus como a porta de entrada das ovelhas;
c) ovelhas, aqueles por quem Cristo morreu e que obterão vida eterna.
Concluímos não se tratar de uma alegoria apenas, mas de uma alegoria para revelar uma verdade inarredável, Jesus é suficiente para transformar a vida das pessoas, dando-lhes segurança, certeza, confiança diante do reino de Deus e do mundo.
EU SOU O BOM PASTOR (Jo 10.11)
Pastorear é cuidar, proteger, arriscar a vida pelas ovelhas. Jesus veio cumprir essa missão e ele contrasta com os pastores que pastoreavam as ovelhas de Israel antes dele, os quais foram denunciados pelos profetas Jeremias e Ezequiel (Jr 23 e Ez 34).
O profeta Isaías vai dizer no seu livro no capítulo 40, versículo 11: “como pastor, apascentará seu rebanho; entre seus braços recolherá os cordeirinhos e os levará no seio; as que amamentam ele guiará mansamente”.
O salmista, bem antes de Isaías, já anunciava o pastor como sendo o seu Senhor, ao dizer: “o Senhor é o meu pastor”[2], complementa o salmista associando ao pastor o cuidado com segurança, alimento, preocupação com os sentimentos, honra etc. Talvez a concretização mais perfeita da figura do pastor se ache no salmo 23. Ainda nos salmos existem vários textos nos quais Deus é reportado como o pastor de Israel (Sl 79.3; 80.1; 95.7), porém, Jesus não se trata de uma revelação verbal, como os textos dos salmos, agora ele é uma realidade encarnada e que contradize-se com algumas figuras existentes no texto de João 10.10 em diante.
Ao final do primeiro eu sou do capítulo 10 Jesus vai concluir que como a porta ele não é ladrão e através de um conceito negativo afirmativo, dando as características desse “ladrão”, que veio para roubar, matar e destruir. Esse ladrão é personificado, hoje em dia, na pessoa do diabo.
Caracteristicamente, o Senhor Jesus, como bom pastor:
a) dá a vida pelas suas ovelhas (v.11);
b) protege as ovelhas contra as investidas dos lobos (v,12);
c) conhece as suas ovelhas e é conhecido delas e isso dá segurança (v.14);
d) não é pastor de apenas um pequeno grupo, ou de uma nação (v. 16, primeira parte), mas de ovelhas de todas as nações;
e) ele forma uma rebanho, porque as ovelhas ouvem a sua voz e quem ouve a sua voz passa a fazer parte do seu rebanho (v.16 segunda parte);
f) quem não crer em Jesus não é ovelha do seu rebanho, ou seja, está à solta, correndo perigo, sujeito ao ladrão e podendo sofrer danos pela ação do demônio (v. 26);
g) a ovelha estará em segurança e não poderá ser arrebatada das mãos do pastor (v. 28);
Como pastor ele é bom, compassivo, alimenta, dá liberdade, protege, entrega-se por elas, fala com elas, ouvem-nas e, portanto, é diferente dos maus pastores, os quais querem explorar e matar as ovelhas, usufruir delas, mas o Senhor é o verdadeiro pastor, pois encontra respaldo nas próprias escrituras e na encarnação que se sacrificou, dando a vida pelas ovelhas.
APLICAÇÃO
Assim como o salmista, o crente precisa saber que há o sumo pastor, aquele que se preocupa com as suas ovelhas, que se comunica com elas, dando a própria vida para que elas tenham vida, pois a sua ação é no sentido de fazer as ovelhas permanecerem sem segurança.
[1] Eu sou o pão da vida (Jo 6.35,48); eu sou a luz do mundo (Jo 8.12); EU SOU (Jo 8.28), eu sou a porta das ovelhas (Jo 10.7,9); eu sou o bom pastor ( Jo 10.14); eu sou a ressurreição e a vida (Jo 11.25); eu sou a videira verdadeira (Jo 15.1).
[2] Sl 23. 1. O Senhor é o meu pastor; nada me faltará; 2 Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso. 3 Refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome. 4 Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam. 5 Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda. 6 Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre.
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