| Plano Cooperativo: Por que participar? Os números são frios, não transmitem emoções como as palavras. Mas, às vezes, podem provocar emoções em razão do que eles revelam. É o que sempre acontece comigo ao ler os relatórios sobre a participação das igrejas Batistas no Plano Cooperativo. Imediatamente meu coração se entristece e minha cabeça começa a dar voltas. A infidelidade atinge todas as igrejas, de todos os tamanhos e de todas as regiões, e até igrejas cujos pastores estão na liderança da denominação. Diante dos números que leio, sou levado a repensar as razões para participar do Plano Cooperativo. Será que ficou obsoleto? Não haveria outro método mais adequado? Ou não representa mais causa nenhuma para a qual se deva contribuir? Em outras palavras: devo continuar orientando minha igreja a contribuir ou perdi o bonde da História e estou fora de contexto? Outras dúvidas, que seria cansativo citar, vêm-me à mente. E a conclusão a que chego é que, sim, vale a pena continuar a contribuir para o Plano Cooperativo, pelas razões que exponho a seguir, como uma ajuda pessoal para tentar mudar o triste quadro mostrado pelos referidos relatórios ano após ano. Vale a pena participar do Plano Cooperativo, em primeiro lugar, por causa do seu próprio nome, pois é baseado no grande princípio que mantém a chama batista: a cooperação. Aliás, o Plano Cooperativo é o princípio da cooperação levado às vias de fato, porque trata de dinheiro, aquele item do qual o ser humano tem mais dificuldade de desprender-se. Ora, cooperação é basicamente desprendimento. Tenho percebido que a grande dificuldade que pastores e igrejas têm para com o Plano Cooperativo, assim como para com a obra missionária, a de ação social e outras que exigem cooperação, é de desprendimento. O princípio distintivo dos batistas é a sua forma de governo, isto é, o seu conceito de uma comunidade local de participação voluntária, gerida por sua própria assembléia, porém cuja cabeça é Cristo e cuja regra de fé e prática é a Palavra de Deus. Nesse sentido os batistas se alinham com a corrente do cristianismo radical que se opôs tanto ao catolicismo romano quanto ao protestantismo clássico, os quais adotaram formas de governo baseadas no princípio constantiniano da coerção, e por isso chegaram ao extremo de estabelecer igrejas nacionais e territoriais (leia-se oficiais). Ao contrário, a forma de governo preconizada pelos batistas é baseada no princípio bíblico da cooperação, que é a maneira pela qual se reproduzem as igrejas locais e autônomas. Uma igreja batista não surge por geração espontânea, como as plantas que nascem sem ser semeadas, mas, à semelhança do fenômeno da cissiparidade, em que os seres vivos se dividem para dar origem a outros. Uma igreja batista vai uma nova localidade, prega ali o evangelho, ganha novos membros e posteriormente desprende-se deles, alegre e voluntariamente, para que organizem uma nova igreja, autônoma e auto-suficiente. Quando uma igreja batista inicia uma nova congregação, já o faz com intenção de desprender-se dela. Assim, todos nós somos frutos da cooperação. Na nossa "árvore genealógica" podemos encontrar pastores que estudaram num seminário sustentado pela cooperação, missionários enviados por uma agência sustentada pela cooperação, autores cujos escritos nos chegaram através da cooperação, e daí por diante. Se uma igreja batista isola-se das demais, está dizendo a si mesma e às outras que, no tocante a ela, a chama Batista pode ser apagada, porque não está disposta a passar a tocha adiante. Pelo menos por gratidão, devemos praticar a cooperação. Em segundo lugar, vale a pena participar do Plano Cooperativo porque a obra da cooperação não se faz com discursos, mas com recursos Humanos e materiais, os quais custam dinheiro. Como ensina o apóstolo João, eu não posso dizer ao meu próximo necessitado: "Vá em paz, meu irmão; eu vou orar por você", e deixá-lo ir nu e faminto. Eu não posso sequer realizar uma pequena reunião em qualquer lugar, sem que haja uma despesa mínima. E se eu não pagar, alguém vai fazê-lo. É isto que nós, pastores, ensinamos às igrejas; por que não o praticamos com respeito à denominação? Assusta-me e indigna-me ver pastores comparecerem às assembléias denominacionais para discutir, propor, votar e ser votados, cujas igrejas aparecem "zeradas" ou com contribuições "simbólicas" no Plano Cooperativo. Para mim eles estão dizendo o seguinte: "O que estou propondo, apoiando ou votando, alguém vai pagar, mas não serei eu". Por oportuno, quero responder àqueles que alegam não participar do Plano Cooperativo porque os recursos são mal administrados. É como aquela história em que o pai tirou o sofá da sala porque o namoro da filha estava ficando muito indecente. Ora, se há problemas, devemos trabalhar para resolvê-los, em vez de tirar vantagem deles para nos omitirmos. Lembremo-nos do homem da parábola dos talentos que recebeu um só, e da sua desculpa esfarrapada, que não foi aceita pelo patrão (Mt 25.14-30). Por último, vale a pena participar do Plano Cooperativo porque ele é justo e funcional. É justo porque é baseado na voluntariedade e na proporcionalidade. A igreja de que sou pastor é bem pequena, mas contribui com 10% da sua receita todos os meses; e assim ela dá tanto quanto a maior igreja, que também oferece 10%. Ambas o fazem porque assim decidiram em assembléias livres e devidamente esclarecidas. Também é funcional porque é baseado na parceria, com condições claramente definidas e transparentes, previstas nos estatutos e regimentos internos das associações e convenções. Parceria é o que existe de mais moderno na administração de negócios. Abro aqui um parêntese para dizer que o fato de que uma boa parte (no mínimo 25%) das igrejas consegue contribuir todos os meses serve de argumento contra aqueles que alegam razões diversas como desencontro de datas, problemas com queda de receita, coincidência com campanhas para ofertas missionárias ou para construção, etc., para não fazê-lo. Se uma boa parte das igrejas pode dar doze contribuições por ano, por que não as demais? Tenho pastoreado seis igrejas pequenas, em dois estados, três convenções e cinco associações, durante quase 40 anos de ministério, sempre cooperando com 10% da receita, levantando três ofertas missionárias por ano e sempre construindo, e nesses anos todos venho ouvindo críticas ao Plano Cooperativo, mas nunca ninguém propôs uma alternativa mais justa e que funcionasse melhor. Nunca nenhuma das cinco igrejas que antes pastoreei, e nem a que dirijo agora, alegou qualquer dificuldade ou empecilho para cooperar. Aliás, já encontrei todas elas cooperando, porque os pastores anteriores lhes haviam ensinado isto. Por isso estou escrevendo como pastor e principalmente para pastores, porque são peça importantíssima na engrenagem da cooperação. Participar do Plano Cooperativo é questão de ensino, exemplo e compromisso. Muitos pastores e igrejas ainda não aprenderam a participar, igrejas grandes cujos pastores estão na liderança não têm sido um bom exemplo de cooperação e muitas igrejas e pastores sabem perfeitamente o que devem fazer mas se omitem. |
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Repassando a todos os colegas Pastores Batistas.
Reverenda Diana Flávia
Secretária Executiva de Evangelismo e Missões da Convenção Batista Paraibana
Secretária Executiva de Evangelismo e Missões da Convenção Batista Paraibana
"Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal"
I Timóteo 1.15
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