JOSUÉ CUMPRE A MISSÃO DE ANUNCIAR
Texto: Js 24.1-15
INTRODUÇÃO
Nas duas últimas lições vimos a vida de Josué, discípulo de Moisés que foi escolhido por Deus, aprendeu aos pés de Moisés e do próprio Deus, tornou-se líder e, por fim cumpriu a sua missão de anunciar as coisas que o Senhor havia determinado a ele. As etapas do discipulado foram cumpridas por Josué, ou seja, foi chamado, escolhido por Deus, aprendeu tudo o que o Senhor queria que ele aprendesse, começou a exercer seu ministério à frente do povo de Israel, conduzindo a nação a entrar na Terra prometida e, quando o povo já havia sido introduzido fez o que Deus determinou a ele no início do livro de Josué, não se apartou do livro da lei, meditou nele e, por fim falou dele aos filhos de Israel. Conosco também deve ser assim; temos a convicção de que fomos escolhidos, observamos a palavra de Deus e partimos para anunciá-la, pois o nosso campo é o mundo (Mt 28.19; Mc 16.15; At 1.8).
ELUCIDAÇÃO DO TEXTO
Deus é coerente, organizado e cumpre suas promessas. Muito tempo antes do acontecimento de Js 24 Ele havia aparecido a Abraão justamente em Siquém[1] (Gn 12.6,7), lugar onde se dá a segunda renovação da aliança por intermédio do líder do povo. A primeira havia sido feita por Moisés em Dt 32.44-47. Agora Josué reúne a população de Israel e cumpre o que Deus havia determinado em Js 1 acerca do apego à lei e da divulgação dela, como forma de alcançar o sucesso da missão recebida. Josué fez uma análise histórica da trajetória de Israel desde o Patriarca Abraão até aquele momento, terminando com uma invocação da aliança nos versículos 14 e 15 do capítulo 24, tendo o povo respondido positivamente a tal compromisso, no entanto, após a morte de Josué logo se dispersou e voltou às práticas egípcias e das gentes cananeias.
CUMPRIR A MISSÃO
Desde a mais remota antiguidade, quando os homens começaram a transmitir o conhecimento de uns para os outros, as escolas, que eram basicamente formadas por um único mestre preparavam seus discípulos para também gerarem outros discípulos e isso só seria possível pela propagação dos ensinamentos recebidos. Com o nosso mestre, Jesus, não é diferente, pois ele preparou os seus discípulos para, conforme ele fez igualmente fazerem mais discípulos. Os discípulos seriam enviados ao mundo, pois o campo é o mundo, como afirmamos acima, com base em textos bíblicos. A missão de Josué não era apenas de conduzir o povo à Terra Prometida, mas como fica claro no capítulo primeiro do seu livro ser exemplo para o povo, meditando na palavra de Deus, não se afastando dela e falando dela ao povo.
O discípulo tem a missão de anunciar o que o seu mestre manda; foi assim com os profetas Isaías (Is 6.8,9), Jeremias (Jr 1.9,10, 18 e 19), Ezequiel (Ez 3.4 e 16-21); foi assim com Natã (2Sm 12.1-12), foi assim com Elias (1Rs 17; 18) e com tantos outros profetas do Antigo Testamento, mas também é assim conosco que temos a responsabilidade de anunciar a tempo e fora de tempo 2Tm 4.1,2. Com efeito, sobre a missão de anunciar o que Deus manda o apóstolo Paulo entendeu bem a sua missão, pois diz em 1Co 9.16-18:
“Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho! E por isso, se o faço de boa mente, terei prêmio; mas, se de má vontade, apenas uma dispensação me é confiada.
Logo, que prêmio tenho? Que, evangelizando, proponha de graça o evangelho de Cristo para não abusar do meu poder no evangelho”.
Logo, que prêmio tenho? Que, evangelizando, proponha de graça o evangelho de Cristo para não abusar do meu poder no evangelho”.
Jesus deu-nos a missão de anunciar dizendo: “IDE POR O MUNDO O PREGAI O EVANGELHO A TODA CRIATURA” (Mc 16.15). Assim como foi dada uma missão a Josué, nos dias de hoje essa missão também é-nos dada. Josué, como mostramos, tinha a missão de conduzir um rebanho, de conhecer e meditar na lei do Senhor e de falar da lei (Js 1.7,8), nós, temos essa responsabilidade em grau muito maior como diz o apóstolo Pedro:
“mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9).
Nós fomos chamados para proclamar, para anunciar e não podemos nos afastar dessa missão.
O CARÁTER DA MISSÃO
Entendemos como caráter, neste caso, o conjunto de pressupostos contidos na missão recebida. Josué tinha uma missão bem diferente daquela recebida por Moisés, pois enquanto este recebeu uma tarefa múltipla de ir ao Egito, falar ao povo sobre o Deus de seus pais, fazer maravilhas perante Faraó, tirar o povo do Egito e levá-lo até a Terra prometida, tendo recebido, também, a missão de registrar a lei para o povo e preparar a nação para a adoração a Deus, através dos ritos solenes, Josué recebe a missão de PERSISTIR (sê forte Js 1.6), CONQUISTAR (Js 1.3), VOLUNTARIAR-SE (dispõe-te Js 1.2), OBSERVAR DA LEI (Js 1.7), ANUNCIAR A LEI[2] (Js 1.8). Josué poderia falhar, como tantos outros que falharam, a exemplo de Eli, (1Sm 4.12-21) e Salomão (1Rs 11), contudo, ele entendeu o caráter da sua missão, a qual não era apenas física mas, principalmente, espiritual. Conduzir o povo e fazê-lo conquistar a Terra Prometida exigia de Josué uma profunda intimidade com Deus, através do conhecimento da palavra de Deus, da confiança em Deus, do exercício da fé, da proclamação da palavra de Deus e, enfim, do alcance do sucesso da missão.
O cumprimento da missão exige o conhecimento dela e ter as diretrizes corretas para não errá-la. Josué tinha tudo isso, pois havia aprendido a ser servo, tinha aprendido a possuir o caráter de Deus e, acima de tudo estava revestido do Espírito Santo de Deus (Nm 27.18-23).
A nossa realidade hoje não é diferente da de Josué e ainda se torna mais clara quando temos a revelação de Deus completada com a vinda de Jesus, o qual morreu por nós e nos explicou de forma pormenorizada a missão da igreja no mundo e o caráter do cristão. O caráter da nossa missão é ser sal e luz (Mt 5.13-16); é dar frutos (Mt 7.17); é buscar a perfeição como padrão da cidadania celestial (Mt 5.48; Ec 9.8; Sl 97.10). Por fim, o caráter da nossa missão é igual a de Josué, proclamar (Mc 16.15).
OS INSTRUMENTOS PARA O CUMPRIMENTO DA MISSÃO
Nenhuma missão será realizada por quem é enviado sem que este receba os instrumentos adequados para sua realização. Ao longo dos tempos Deus se utilizou de diversos métodos para realizar as suas determinações. O principal instrumento da missão é o revestimento do Espírito Santo de Deus sobre o seu enviado. Porém, ficaria muito vago apenas dizer que o Espírito Santo é a maior arma ou instrumento na realização da missão, pois muito embora Ele mesmo possa realizar a obra de Deus, o Senhor se utiliza de pessoas para essa realização. Josué era revestido do Espírito Santo, como vimos, tinha consciência e certeza de ser chamado por Deus, foi capacitado pelo Senhor, era completamente dependente de Deus, como vimos na lição anterior, mesmo assim foi necessário aparelhar-lhe com vários instrumentos, a saber: O PODER DE DEUS (Js 1.5); a PRESENÇA DE DEUS (Js 1.5); O ZELO PELA PALAVRA DE DEUS (teres o cuidado de fazer segundo toda a lei Js 1.7); a OBEDIÊNCIA A PALAVRA DE DEUS (não te desvies nem para a direita nem para a esquerda Js 1.7); O CONTATO CONTÍNUO COM A PALAVRA DE DEUS (medita nele dia e noite Js 1.8).
Em nossos dias é preciso saber que somos instrumentos de Deus e que Ele nos reveste de armas de capacitação para a realização da missão dada por Ele mesmo. O apóstolo Paulo nos diz em Ef 6.10-18 que devemos nos revestir de toda armadura de Deus.
Quando falamos em instrumento imaginamos logo algo material capaz de destruir tudo o que se acha à nossa frente. De fato instrumento tem essa conotação, porém, no caso do reino de Deus quem vai à nossa frente é o próprio Deus (Ex 3.10,11; Js 1.5). Relativamente a igreja de Deus o Senhor Jesus nos disse que daria o Espírito Santo (Jo 14.16); que está conosco (Mt 28.20); que temos poder para vencer o inimigo (At 1.8); que as realizações da missão dependem dele (Jo 15.5); que o inferno não prevalece contra a igreja (Mt 16.18). A realização da missão não é fácil, pois muitos atropelos serão enfrentados por nós, mas temos a certeza de que somos bem aparelhados e o sucesso não depende de nós mas de quem enviou, Deus.
Concluindo podemos dizer como diz o apóstolo Paulo em 2Co 10.3-6:
“Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo; E estando prontos para vingar toda a desobediência, quando for cumprida a vossa obediência”.
Por isso, nos coloquemos como instrumentos de Deus para o cumprimento da missão que ele nos determinou e nos revistamos dos instrumentos que Ele nos dá.
[1] Em hebraico, shechem (Siquém) significa "ombro", uma boa descrição para a localização da cidade no vale estreito entre o monte Gerizim e o monte Ebal, aproximadamente 65 quilômetros ao norte de Jerusalém. (http://www.avozdosetimoanjo.com.br).
[2] A palavra de Deus.
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