COMO SE COMPORTAR DIANTE DO SOFRIMENTO?
Todos nós podemos passar por situações que nos levam a chorar e a questionar a origem de nosso sofrimento. Vivemos num mundo cercado pelo sofrimento e pela dor; todos os dias vivenciamos a experiência da aflição e diante das agruras da vida precisamos decidir se vamos simplesmente lamentar e nos deprimir com a situação ou se vamos aprender com os problemas e vamos prosseguir.
O apóstolo Pedro, escrevendo aos cristãos da Ásia Menor, os adverte da seguinte maneira: “Mas alegrai-vos por serdes participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também vos alegreis e exulteis na revelação da sua glória. Se sois insultados por causa do nome de Cristo, sois abençoados, porque sobre vós repousa o Espírito da glória, o Espírito de Deus. Mas nenhum de vós sofra como homicida, ladrão, praticante do mal, ou como quem se intromete em negócios alheios. Mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; pelo contrário, glorifique a Deus com esse nome. Porque chegou a hora de começar o julgamento pela casa de Deus; e se começa por nós, qual será o fim daqueles que desobedecem ao evangelho de Deus? E se para o justo é difícil ser salvo, onde comparecerá o ímpio pecador? Portanto, os que sofrem segundo a vontade de Deus devem confiar a vida ao fiel Criador, praticando o bem” (1Pedro 4:13-19). Neste texto encontramos algumas orientações importantes para nos comportarmos corretamente diante do sofrimento.
Primeiro, sinta-se abençoado por ser participante dos sofrimentos de Cristo. Isso não quer dizer que somos masoquistas ou que nutrimos uma apatheiaestoica (ausência de emoção, de paixão); pelo contrário, se somos “participantes dos sofrimentos de Cristo”, sabemos que isso possui uma implicação eterna, pois “sobre vós repousa o Espírito da glória, o Espírito de Deus”. Pedro destaca palavras tais como alegria, exultação, glória e bênção. Sim, ser “participantes dos sofrimentos de Cristo” traz vida a estas palavras, pois Ele mesmo é a nossa alegria, exultação, glória e bênção. O fato de o Espírito Santo habitar em nós mostra que Deus participa conosco em nosso sofrimento; muito mais, Ele nos ajuda a enfrentar a situação adversa de cabeça erguida. Pedro vai afirmar: “Mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; pelo contrário, glorifique a Deus com esse nome” (4:16). Sofrer por Cristo vale a pena, pois como nos diz o autor aos Hebreus: “Assim, considerai aquele que suportou tal oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos canseis e fiqueis desanimados” (Hebreus 12:3).
Segundo, fuja dos sofrimentos causados pelo pecado. Pedro adverte: “Mas nenhum de vós sofra como homicida, ladrão, praticante do mal, ou como quem se intromete em negócios alheios” (4:15). As palavras são fortes e enfáticas: homicida (phoneús) significa literalmente assassino; ladrão (kléptês) aqui traz a ideia daquele que rouba de maneira sorrateira; praticante do mal (kakopoios) aponta para um malfeitor, um criminoso, alguém que age de forma maligna; e temos ainda frasecomo quem se intromete em negócios alheios, que aparece no vocábulo allotriepískopos. Essa palavra aponta para alguém intrometido, que interfere na vida dos outros e cria problemas.
Em outras palavras, há atitudes pecaminosas que geram sofrimentos. Sim, muitos sofrimentos poderiam ser evitados se as pessoas tomasse uma postura mais correta diante dos outros. Perceba que Pedro usa palavras que implicam em relacionamentos pessoais, ou seja, o assassino não é apenas aquele que mata alguém fisicamente, mas também aquele que simplesmente se ira contra o próximo (Mateus 5:21-26); ladrão não é apenas o que furta algo material (Efésios 4:28), mas também aquele que ilude, engana e rouba a alegria, a pureza e a vida do outro (1Tessalonicenses 4:3-7). Portanto, esse tipo de sofrimento, provocado, instigado e exercido pela vontade humana gera um tipo de sofrimento passível de punição. A palavra paschô traz a ideia de infortúnios, sofrimento de males que trazem tormento. Esta é a diferença entre sofrer por Cristo e sofrer por causa do pecado; o sofrimento por causa de Cristo visa fortalecer nossa fé, edificar nossa vida, corrigir nosso caminho e traz a glória de Deus, enquanto que o sofrimento do pecado traz tormento, angústia e punição.
Por isso Pedro faz distinção entre os salvos e os perdidos, os justos e os ímpios: “Porque chegou a hora de começar o julgamento pela casa de Deus; e se começa por nós, qual será o fim daqueles que desobedecem ao evangelho de Deus? E se para o justo é difícil ser salvo, onde comparecerá o ímpio pecador?” (4:17,18). Sim, o julgamento ou veredicto começa na casa de Deus e termina no mundo. Para os salvos “já não há condenação alguma” porque eles “estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1), mas os ímpios “não prevalecerão no julgamento, nem os pecadores, na assembleia dos justos” (Salmo 1:5). A salvação para o justo é algo difícil, não porque é conquistado pela força própria, mas porque “a porta é estreita, e o caminho que conduz à vida, apertado, e são poucos os que a encontram” (Mateus 7:14); a salvação não é mérito, mas graça. No entanto, como o ímpio comparecerá diante de Deus? Como disse Jó: “Os céus revelarão a sua maldade, e a terra se levantará contra ele” (Jó 20:27).
Com isso chegamos à conclusão de que “... os que sofrem segundo a vontade de Deus devem confiar a vida ao fiel Criador, praticando o bem” (4:19). Eis aqui duas coisas importantes na vida cristã autêntica: Confiar a vida ao fiel Criador, ou seja, confiar na fidelidade de Deus; e praticar o bem, isto é, o sofrimento é uma ótima oportunidade de deixar de olhar para mim mesmo e fazer o melhor para os outros. Nossa dor pode abrir as portas para o nosso ministério. Certamente o sofrimento para o cristão tem outra conotação, não porque ele é mais especial do que os outros, mas porque nosso Mestre e Senhor era “homem de dores e experimentado nos sofrimentos” (Isaías 53:3).
Uma ótima semana, com abraços fraternos em Cristo. Pr. Gilson Jr.
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