quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Boa leitura:


A MALDIÇÃO DA FALTA DE COMPROMETIMENTO!

Comprometer-se aponta para a responsabilidade de uma pessoa comprometida, alguém que se torna responsável e por isso se empenha em fazer algo. Infelizmente vivemos um tempo em que a maioria das pessoas na igreja já não possui isso. Se no mundo o compromisso tornou-se algo vago e empírico, fruto de um sentimentalismo vazio, impulsionado pelo hedonismo idolatrado de pessoas que buscam seu interesse, na igreja isso está ganhando contornos de uma pseudo-espiritualidade para mascarar a falta de vontade de alguns que se chamam cristãos.
A maioria das pessoas querem igrejas confortáveis e da moda, querem ouvir mensagens “poderosas” que levantem o “astral” dos que a ouvem. Não querem ouvir notícias de missionários sendo perseguidos, de crentes morrendo pela fé; os mártires já não chamam atenção e não são mais cobiçados. Hoje em dia as pessoas querem homens e mulheres de sucesso, super-pastores, apóstolos divinizados, envolvidos em suas capas fantásticas, envoltos em vozes poderosas e olhares piedosos. Como é terrível perceber que a cristandade moderna se parece cada vez mais com o paganismo antigo, com seus deuses antropomórficos, com seus sacerdotes e rituais elaborados. A moda é tocar shophar, dançar proféticamente, participar da “unção apostólica” e todos os programas que exaltam o ser humano e reduzem a glória de Deus ao show de fim de semana.
A religiosidade atual, o chamado “crescimento evangélico” na verdade não apontam para o crescimento do Evangelho, mas de um misticismo e um sincretismo odioso, fruto de uma busca de números, de formas organizacionais empresariais, fonte de lucro em nome de Deus. É como diz a Escritura: “Diz o SENHOR Deus: Oferecei sacrifício de louvores do que é fermentado, divulgai as ofertas voluntárias; anunciai-as, pois tendes prazer nisso, ó israelitas” (Amós 4:5). Na cristandade atual o importante é ser visto, alardeado e honrado, enquanto Deus é um mero detalhe.
Eis a razão pela falta de comprometimento das pessoas; elas não querem ser responsáveis pela obra de Deus, não se empenham em ver a causa de Cristo crescendo, porque na verdade ao se comprometerem teriam que se esvaziar de si mesmas, crucificar o eu, abandonar projetos pessoais para servirem ao único propósito de servir ao Senhor. Tudo isso vai contra a noção humana de autoglorificação.
Mas o que devemos fazer para rejeitar esta postura e nos comprometermos fielmente ao Senhor?Primeiramente precisamos levar em consideração o propósito de Deus em nos criar. Deus é autossuficiente, Senhor do Universo de modo que não possui nenhuma necessidade. Por que nos criou? Ele nos criou primeiro, para desfrutarmos de Sua graça. De tudo quanto Ele criou somos os únicos que possuem a capacidade de desfrutar com Deus de um relacionamento pessoal. A primeira palavra que a Bíblia usa para descrever esta relação é abençoar. Deus não abençoou o ser humano por causa de algum mérito ou valor inerente a nós, mas por pura graça.
Deus também nos criou para manifestar a Sua glória. Ele disse a Abraão: “E farei de ti uma grande nação, te abençoarei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção” (Gênesis 12:2). Mas logo Deus conecta a promessa a Abraão com um propósito maior: “... e todas as famílias da terra serão abençoadas por meio de ti” (12:3). Deus abençoa Abraão, mas esta bênção não é para ele apenas; Deus diz a Abraão: Desfrute de minha graça e estenda a minha glória.
Quando compreendemos isso evitamos o desperdício de nossa vida; paramos de achar que a Igreja deve nos servir, de que a oração a Deus tenha apenas uma visão utilitarista que vise abençoar e dar a nossa vida aquilo que queremos. A compreensão de nosso propósito evita a frustração de pensar que somos o centro do universo.
Em segundo lugar, devemos considerar a autoexaltação de Deus na redenção de Seu povo. Quando Deus salvou Israel da escravidão, conduzindo-os pelo Mar Vermelho, Ele não o fez por méritos daquele povo, mas para exaltar a Sua glória. Quando os israelitas viram o exército de faraó os perseguindo, temeram a clamaram. No entanto Deus disse a Moisés: “Endurecerei o coração do faraó, e ele os perseguirá. Serei glorificado por meio do faraó e de todo o seu exército, e os egípcios saberão que eu sou o SENHOR. E eles fizeram assim” (Êxodo 14:4). E assim, Deus atraiu os egípcios para dentro do mar e os destruiu por um só motivo: glorificar-se a Si mesmo. E assim, Deus mostrou ao Seu povo que a salvação pertence a Ele. A falta de comprometimento se dá porque muitos crentes acham que a única razão de ser de Deus é dar bênçãos, que Ele está obrigado por Sua palavra a nos dar tudo. Mas quem considera a autoexaltação Divina logo percebe que Deus não necessita de nós.
Ele ama abençoar Seu povo com a graça para que o povo abençoado gratuitamente manifeste a glória do Todo-Poderoso no mundo. Não fomos chamados para assistir culto, para cantar de mãos levantadas achando que o Senhor pode ser enganado pelo teatro evangélico. Deixemos de lado a falta de comprometimento e abençoados pela graça maravilhosa sejamos bênção de Deus a todas as famílias da terra.

Uma ótima semana, com abraços fraternos em Cristo. Pr. Gilson Jr.

Nenhum comentário:

Postar um comentário