ESTUDO SOBRE O EVANGELHO DE JOÃO PARTE II
JESUS, CORDEIRO DE DEUS E MESTRE
Texto: Jo 1. 29 e 35-51
INTRODUÇÃO
O evangelho de João é o livro do Novo Testamento que mais sintetiza as menções do Antigo Testamento sobre Jesus Cristo. Nele, também, existe a maior lista de adjetivos, às vezes comparações de tipos do Antigo Testamento com a encarnação do Messias[1] (enviado).
João Batista, aquele que fora enviado (Is 40.3; Ml 3.1; 4.5, 6) por Deus para preparar os corações do povo para receberem a Jesus tem uma grande participação no primeiro capítulo do referido evangelho, inicialmente praticando o batismo de arrependimento, no Rio Jordão, depois batizando o próprio Jesus, bem como dando testemunho acerca do Filho de Deus, dizendo que o mesmo iria batizar com o Espírito Santo, ou seja, um batismo diferente do seu em qualidade e, por último declarando que JESUS É O CORDEIRO[2] DE DEUS, QUE TIRA O PECADO DO MUNDO[3].
Sobre estes aspectos iremos discorrer e aprender um pouco mais da palavra de Deus.
JESUS, O CORDEIRO DE DEUS
Por duas vezes João Batista faz referência a Jesus como “O CORDEIRO DE DEUS, QUE TIRA O PECADO[4] DO MUNDO”. Na primeira vez (Jo 1.29) Jesus, segundo narra o escritor, estava indo na direção de João Batista, tendo redundado no seu batismo. Na segunda vez (Jo 1.36) Jesus estava passando por João Batista, o que nos faz concluir que houve, como alguns doutrinadores entendem um intervalo de cerca de quatro dias entre os versículos 19-51 de Jo 1.
Em outro quadrante podemos dizer que João Batista teve a revelação de ser Jesus o Cordeiro de Deus, ao ouvir:
“AQUELE SOBRE QUEM VIRES DESCER E POUSAR O ESPÍRITO, ESSE É O QUE BATIZA COM O ESPÍRITO SANTO”.
O autor do evangelho vai confirmar a revelação de João Batista em Jo 19.36 ao mencionar Sl 34.20:
“PRESERVA-LHES TODOS OS OSSOS, NENHUM DELES SEQUER SERÁ QUEBRADO”[5],
pois Jesus foi sacrificado e não teve osso algum quebrado, como era de costume na crucificação, ou seja, quebravam as pernas dos crucificados para terem a certeza de que já estavam mortos, ou aumentarem as dores a fim de que morressem mais depressa. O apóstolo Paulo, igualmente vai conferir a Jesus o título de “CORDEIRO PASCAL” (1Co 5.7) e Pedro, de modo semelhante nos diz que ele é o “CORDEIRO SEM DEFEITO” (1Pe 1.19).
A menção ao cordeiro relembra sacrifício, contudo, também, relembra os tipos encontrados no Antigo Testamento (Gn 22.8, 13; Ex 12.5; 29.39; 1Sm 7.9; Is 53.7). Entretanto, esses cordeiros que eram oferecidos no Antigo Testamento não possuíam o poder de livrar o ser humano da culpa, muito embora materialmente devessem ser sem defeito (Ex 12.5), carregavam, contudo, a imperfeição da queda da criação e, portanto, não poderiam tirar o pecado do mundo, JUSTIFICAR o ser humano. Somente Jesus tinha e teve essa capacidade, porque material e essencialmente era sem defeito, sem mancha, sem mácula, uma vez que em tudo foi tentado, mas não pecou (Hb 4.15).
João Batista viu essa revelação e ela implica em várias verdades:
a) Jesus é o sacrifício perfeito;
b) Esse sacrifício não é exclusivo de um povo (os judeus), mas de todas as nações (mundo);
c) Todos os outros sacrifícios são em vão;
d) Somente pelo sacrifício do sangue de um justo (1Pe 1.18; Tg 5.6; 1Jo 1.9) poderia haver remissão de pecados.
Essa afirmação de João, da mesma forma, faz um confronto aos sacerdotes e doutores da lei da época, que achavam que eram justificados pelas obras da lei e revela, de igual modo, a messianidade de Jesus Cristo, ou seja, Jesus era o Messias prometido no Antigo Testamento (Sl 45.7; Is 9; 11; 40; 51; 53; 61; Dn 9.24 etc.) bem como no anúncio do nascimento de Jesus em Mt 1.21.
Implica, ademais, que estava sendo confirmada a profecia de Isaías em 53.7, de que Jesus realmente seria sacrificado (crucificado), para remissão dos nossos pecados.
Essa revelação de João também fez com que dois dos seus discípulos seguissem a Jesus, um deles era André, irmão de Pedro e o outro seria João, autor do evangelho, pois compreenderam que Jesus era o Messias, o enviado de Deus.
JESUS, O MESTRE[6]
Além de ser aquele por meio de quem haveria e houve a remissão dos pecados dos seres humanos Jesus tinha a missão de ensinar[7]. Os judeus esperavam um enviado (Messias) com as características de um grande guerreiro, um grande administrador, um grande mestre, que tomaria as rédeas políticas do reino de Israel e iria governar e subjugar os reinos vizinhos e dar paz completa ao reino terreno de Israel. Porém, Jesus, de fato era rei, veio para governar um reino universal, o Reino de Deus, que foi instalado, veio ensinar, mas não Filosofia, Arte da Guerra ou outra qualquer disciplina, mas ensinar o caminho da entrada do Reino de Deus, ensinar o amor.
A mulher Samaritana Jo 4.25 diz: “...QUANDO ELE VIER, NOS ANUNCIARÁ TODAS AS COISAS”. João Batista, quando estava no cárcere e ouviu falar sobre os feitos de Jesus manda lhe perguntar: “ÉS TU AQUELE QUE ESTAVA PARA VIR OU HAVEMOS DE ESPERAR OUTRO” (Mt 11.3 e 5), o mesmo João Batista que havia dado testemunho dizendo: “EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO” (Jo 1.29, 36). Jesus responde:
“...IDE E ANUNCIAI A JOÃO O QUE ESTAIS OUVINDO E VENDO: OS CEGOS VÊEM, OS COXOS ANDAM, OS LEPROSOS SÃO PURIFICADOS, OS SURDOS OUVEM, OS MORTOS SÃO RESSUSCITADOS, E AOS POBRES ESTÁ SENDO PREGADO O EVANGELHO”.
Jesus responde com a profecia de Isaías 35.5, 6 e 61.1, ou seja, João conhecia a profecia e ela estava se cumprindo e Jesus estava exercendo os sinais da graça, portanto era ele mesmo Senhor e Mestre.
Por aquele tempo havia muita gente em Israel se dizendo mestre. Primeiro os doutores da lei (sacerdotes, escribas, fariseus), depois havia outros que se intitulavam o Messias e de forma itinerante iam pregando alguma coisa dizendo que era da parte de Deus. No entanto, o que caracterizava um mestre era um lugar para ensinar. Quando os discípulos de João ouvem que Jesus era “O CORDEIRO DE DEUS” não o viram como aquele capaz de redimir o ser humano da maldição do pecado, mas o viram como um mestre, pensando que ele fosse mais um mestre dos que haviam em Israel. A prova disso é que os dois discípulos de João Batista (André e João Evangelista) seguiram a Jesus e a primeira coisa que fizeram foi perguntar: “RABI, ONDE ASSISTES?” Jesus respondeu: “VINDE E VEDE”. Eles foram, ficaram com Jesus aquele dia e descobriram que Jesus era de fato mestre, mas um mestre diferente, ou seja, ele era o Messias.
Nicodemos quando foi ter com Jesus (Jo 3.1-15 – v.2) começa reconhecendo ser Jesus um mestre verdadeiro dizendo:
“RABI, SABEMOS QUE ÉS MESTRE VINDO DA PARTE DE DEUS; PORQUE NINGUÉM PODE FAZER ESTES SINAIS QUE TU FAZES, SE DEUS NÃO ESTIVER COM ELE”.
Os publicanos também tinham Jesus na condição de Mestre (Mt 17.24). Ao censurar os escribas e fariseus Jesus diz aos discípulos:
“VÓS, PORÉM NÃO SEREIS CHAMADOS MESTRES, PORQUE UM SÓ É VOSSO MESTRE, E VÓS TODOS SOIS IRMÃOS”.
O próprio Jesus se intitula Mestre, quando manda os discípulos prepararem o lugar da última ceia Mt 26.18, os discípulos o reconheciam como Mestre Mc 5.35.
Os Mestres de Israel, os doutores da lei, os sacerdotes, os fariseus, saduceus, herodianos, no entanto, não o reconheciam como Mestre, pois sempre estavam mandando alguém para espreitá-lo e achá-lo nalguma blasfêmia; seus irmãos e parentes também não o tinham como Mestre (Mt 13.54, 55).
EM QUE IMPLICA JESUS SER MESTRE?
Em primeiro lugar isso lhe credencia a ensinar acerca da lei de Deus e ele o fez com muita sabedoria, a ponto de os seus observadores dizerem: “JAMAIS ALGUÉM FALOU COMO ESTE HOMEM” (Jo 7.46), ou seja, ele ensinava de forma diferente. Também, o seu ensino causava admiração, pois continha autoridade Mt 7.29, era diferente do ensino dos escribas. Isso implica, também que Jesus tinha conhecimento advindo do próprio Deus, que o havia enviado, isso foi o que os discípulos perceberam, quando passaram um dia com ele (Jo 1.41). O seu ensino não era aleatório ele carregava os sinais da graça (Jo 3.2; Mt 11.5), portanto, o seu ensino é confiável. Assim como os profetas que falavam da parte do Pai dizendo: “ASSIM DIZ O SENHOR”, a palavra de Jesus era superior, porque ele é a própria palavra do Pai e o que ele disse ouviu do Pai (Jo 14.10).
Outra coisa é que o seu ensino foi efetuado com palavras eternas (Mt 24.35) e ainda, as suas palavras são ESPÍRITO E VIDA (Jo 6.63), o que significa que ouvir a palavra de Deus, ouvir o que Jesus disse e praticar esse ensino torna o discípulo adorador (Espírito) e dá a vida eterna (Jo 5.24).
APLICAÇÃO
Temos de ter a consciência de que Jesus é o verdadeiro e único capaz de redimir o ser humano da condenação eterna, pois ele é Sacerdote e é Sacrifício, ou seja, foi ele quem como sumo sacerdote nos deu acesso ao pai, pelo sacrifício do seu sangue, uma vez que ele é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Por outro lado, Jesus é Mestre e, como tal ele nos ensina o caminho da vida e ele próprio é a vida, as suas palavras nos dão movimento (espírito), atitude, testemunho, certeza de vida eterna. Jesus não é um mestre qualquer é o nosso Mestre, aquele que veio da parte de Deus para nos ensinar o caminho da vida eterna e ele mesmo é este caminho. Portanto, precisamos crer no Cordeiro de Deus e adotá-lo como nosso sacrifício e aprender dele, porque é manso e suave (Mt 11.28).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GENEBRA, Bíblia de Estudo
Hendriksen, William, Comentário do Novo Testamento, João, 1ª edição, São Paulo, 2004, Editora Cultura Cristã.
ISIDRO PEREIRA, S. J, Dicionário Grego Português e Português Grego, 8ª edição, Braga/PT.
JUNIOR, Coelho, Exposição do Evangelho de João, Livro I, Bookess Reader, 1ª edição, São Paulo, 2010.
LADD, George Eldon, Teologia do Novo Testamento, 1ª edição, São Paulo, 2009, Hagnos.
Leloup, Jean-Yves, O Evangelho De Joao, Editora Vozes, 1edição brasileira, São Paulo, 2010.
RIENECKER, Fritz e ROGERS, Cleon, Chave Linguística do Novo Testamento Grego, 1ª edição, 2009, São Paulo, Vida Nova.
STERN, H David, Comentário Judaico do Novo Testamento, 1ª edição, 2008, São Paulo, Templus.
Shedd, Russel, Bíblia de estudo, versão Revista e Atualizada, 2ª edição, São Paulo Edições Vida Nova.
SCOLZ, Vilson, Novo Testamento Interlinear Grego Português, 2ª edição, 1993, Barueri, Sociedade Bíblica do Brasil.
THOMPSOM, Bíblia de Referência.
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[1] Μεσσιας = enviado, ungido.
[2] αμνός
[3] κόσμος
[4] αμαρτια
[5] Conferir também Ex 12.46; Nm 9.12.
[6] διδάσκαλος
μαθητής = discípulo
[7] διδαχή
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Pastora Diana amo muito, sem palavras para falar dessa Pastora Ungida, paz do Senhor.
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